segunda-feira, 25 de junho de 2012
OUVINDO COM OLHOS LIVRES
OUVINDO COM OLHOS LIVRES
"não há essa de que um filme experimental em qualquer latitude e em qualquer cinematografia nunca foi nem será ouvido: ele é ouvido. Ouça com olhos livres"
jairo ferreira
Muita gente que faz cinema e diz não entender essa "história de filme livre" não percebe que, do lado de fora dos estúdios glamourosos da zona oeste (velho oeste) e além, muito além do além das pretensões acadêmicas e industriais ele pode enveredar por outros caminhos empoeirados, sem atalhos, sem carona nem parada no drive-in hamburguesado. cinema, suor e lágrimas. seu itinerário e estágios são, entre outros: êxtase criativo e falência econômica (quando decide viver apenas de seu cinema experimental, radical, livre) e em certo momento a saída através da busca criativa pela sobrevivência, independente de apenas fazer filmes, dirigir filmes, pelo menos no brasil, onde realizar filmes independentes e experimentais não dá pé economicamente, mas pode gerar direta ou indiretamente alguns momentos de dignidade, prazer ou conforto.
o que seria filme livre (um filme livre de quê? de patrocínio do estado / leis de incentivo? livre de formatos / gêneros pré-estabelecidos?). livre é um conceito em movimento. depende do ponto de vista, estado de espírito e do contexto histórico etc. para meliés, o cinema delirante que ele acreditava ser possível além das fotografias em movimento dos irmãos lumiere, é de certa maneira uma proposta de cinema livre.
quando nos perguntamos porque trabalhamos com filmes (no seu mais amplo sentido), poderíamos também questionar: que filmes queremos ? repetir filmes já feitos ? abrir caminho para novas imagens em movimento ou buscar imagens e sons (música da luz?) que de uma certa maneira nos estimulem a
veicular e incentivar, no sentido mais ideológico do que financeiro (além de ver, ouvir e fazer) novos conteúdos e formas de produção.
numa conversa mais ou menos recente sobre os motivos que nos levam a cometer estes delitos audiovisuais, uma amiga, realizadora, me revelou que faz filmes para viajar…se inspirar a fazer outros filmes e viajar outra vez….
parece ser um motivo bem sensato.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Kid Morengueira e o samba cinematográfico
KID MORENGUEIRA E O SAMBA CINEMATOGRÁFICO
"Quem criou foi eu o samba-de-breque, em 1936. Um samba completamente parado pra falar.
Breque é uma palavra inglesa que manda parar. O 'stop', né ?"
Moreira da Silva, Opinião 10/10/76
"Moreira da Silva é um revolucionário da linguagem musical"
Jards Macalé, 1978
O cantor Moreira da Silva (1902-2000) possui uma obra singular e inconfundível, passando pelos diversos sub-gêneros do samba com destreza, da batucada ao samba-de-breque, do samba-choro aos pontos de umbanda. Buscando inspiração para seus sambas nas gafieiras e delegacias, segundo o jornalista Lucio Rangel no texto de apresentação do LP “O Último Malandro”, de 1958, Moreira da Silva se tornou um cronista exemplar uma classe social, a do malandro pernóstico, do boêmio , do contador de vantagem.
Nos anos 30, quando a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, começou a promover concursos de sambas, tornou-se tricampeão do concurso oficial do carnaval carioca. Interpretou clássicos de Geraldo Pereira, Noel Rosa, Wilson Batista, Lupicínio Rodrigues, entre outros, tornando-se um cantor autenticamente popular. À partir de 1937, com a gravação do samba “Jogo Proibido”, considerado um marco do surgimento do samba-de-breque, sua interpretação passa a adotar uma caracterização marcadamente malandra, improvisando nos intervalos dos versos frases cheias de gírias, pesquisadas ao longo de anos convivendo com a nata da malandragem da Estácio, Lapa e adjacências.
Nos anos 60, com quase 30 anos de carreira, Moreira transforma-se em Kid Morengueira, e "estrela" uma série de sambas cinematográficos interpretando heróis do cinema americano, posteriormente se passando para o cinema italiano, nas divertidas composições de Miguel Gustavo. O Rei do Gatilho, O Último dos Mohicanos, O Seqüestro de Ringo, Morengueira Contra 007 e Os Intocáveis, são sátiras ao cinema de Hollywood, com bandidos mascarados, mocinhas indefesas, índios mohicanos, agentes secretos, gangsters de Chicago, bandidos da máfia italiana, cangaceiros, entre outros.
Ao excursionar por Portugal para uma série de shows, Moreira da Silva é convidado para fazer uma participação no filme A Varanda dos Rouxinóis , de Leitão de Barros , produzido em 1939. É a estréia (internacional) de Morengueira nos cinemas. De volta ao Brasil, faz participações especiais em alguns filmes musicais-carnavalescos, e em 1961 filma com Sanin Cherques Briga, Mulher e Samba. O cineasta Rogério Sganzerla, por sugestão de seu então assistente de direção Ivan Cardoso, convida Moreira para participar de seu filme Sem Essa Aranha, de 1970. Por sua vez, Cardoso realiza o curta Moreira da Silva, em 1973. Na trilha sonora, clássicos do samba-de-breque, como Na Subida do Morro, Que Barbada, Pistom de Gafieira e Acertei no Milhar.
O legado dos 3 malandros
Nas décadas de 70 a 90, mesmo com a idade avançada e o advento da bossa nova, o tropicalismo e outras modernidades musicais, Moreira continuou gravando discos e influenciando dezenas de músicos e compositores, até falecer em 2000, cinco anos depois de gravar seu ultimo LP, Os 3 Malandros In Concert, ao lado de Bezerra da Silva e Dicró.
Nas décadas de 70 a 90, mesmo com a idade avançada e o advento da bossa nova, o tropicalismo e outras modernidades musicais, Moreira continuou gravando discos e influenciando dezenas de músicos e compositores, até falecer em 2000, cinco anos depois de gravar seu ultimo LP, Os 3 Malandros In Concert, ao lado de Bezerra da Silva e Dicró.
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