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| dez pro inferno, de nilson primitivo |
"Acreditamos que o cinema de garagem é um cinema de resistência contra um cinema massificado e padronizado, que domina não somente o Brasil mas o mundo. Quando vemos a programação dos filmes que passam no circuito comercial de cinema, são dois ou três filmes que ocupam 70% das salas. Achamos esse dado preocupante, pois a diversidade de modos de fazer e de olhar o mundo é importante para que o público possa compreender que somos diferentes, temos gostos, necessidades e afetos diferenciados. Buscamos enfatizar também que "cinema de garagem" não significa simplesmente um filme barato. As condições econômicas são, claro, um fator importante, mas nossa seleção levou em conta também outros critérios: são os aspectos éticos, estéticos e políticos dessa cena que nos interessam."
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| Estrada para Ythaka, Irmãos Pretti e Guto Parente e Pedro Diogenes |
"Acreditamos que o cinema brasileiro passa por um momento muito fértil, com a eclosão de uma geração jovem que se lançou ao cinema sem tela de proteção, renovando a forma de expressão no cinema brasileiro contemporâneo mesmo sem ter grandes orçamentos. Esses filmes foram feitos com modos de produção flexíveis, com uma produção em rede, apropriando-se dos ganhos da difusão da tecnologia digital e de um cenário de cinefilia. No entanto, esses filmes ainda permanecem pouco vistos e discutidos, esmagados por um cinema global hegemônico. Buscamos jogar um pouco de luz sobre essa cena, propondo um panorama que pudesse incluir uma grande variedade de estilos e olhares, incluindo um grande número de autores. Foram 25 longas e 44 curtas produzidos neste século."
- existe algum filme inédito ou nunca visto no rio ou no brasil nesta seleção de curtas e longas?
"Não fomos pautados pelo critério "ineditismo". O imperativo do ineditismo vem das imposições do mercado e da publicidade. Pensamos em selecionar filmes pouco vistos que tivessem propostas instigantes. Se são inéditos ou não, para nós importa menos."
- Como acontece hoje esta distribuição virtual de filmes afetivos, de garagem, experimentais, vocês acreditam que a internet seja mesmo a luz no fim do tunel ? e os cineclubes ?
"A internet é uma possibilidade que se abre para a arte independente. Que venham mais e mais porta(i)s a serem abertos. Os cineclubes são pontos de encontro. Não tem a lógica de programação comercial do circuito."
- quando o livro foi publicado, em 2010, vocês afirmam que o cinema independente mais interessante feito no Brasil hoje vem do nordeste (especialmente Ceará) e Minas Gerais. Como vocês vêem este panorama em 2012 ? Mudou alguma coisa ?
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| Aboio, de Marilia Rocha |
- O que vocês recomendam pro público carioca, entre os filmes e os debates, nesta edição da mostra? "Recomendamos que o próprio público faça as suas escolhas, a partir das sessões que propomos. Que o público se perca nas sessões, que se deixe levar pelo fluxo do filme, e que faça as suas próprias descobertas. Estas é que são as mais estimulantes!!!"
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| A Fuga da Mulher Gorila, Felipe Bragança e Marina Meliande |



