Para além do fogo corsário.
morreu carlão reinchenbach, luz anárquica do cinema marginal e popular brasileiro. luto no cinema.
entre dezenas de longas e curtas, além de outras dezenas de filmes que trabalhou como diretor de fotografia, seus filmes trilham entre a rebeldia política e o amor libertário, sem propriedades nem moralismos. ao som da trilha sonora caótica e urbana, zen e rock & roll, ao mesmo tempo, seus milhares de fotogramas brilharam em cinemas da boca do lixo, são paulo e adjacências mundiais, como rotterdam, portugal e outros países do além mar.
lembro do fogo queimando na praia da ilha comprida, em dias e noites de amor e canibalismo, em todos os sentidos…império do desejo, o cinema e seu desejo, na definição do cinepoeta jairo ferreira define todo o cinema de carlão reichenbach, cineasta utópico e atípico, desbravador de Fausto na terra da Boca do Lixo, anarquista da pornochanchada crítica, se é que era pornochanchada mesmo ou uma estratégia para alcançar públicos diversos com cinepoesia e cineprofecia libertária. consciente do potencial libertário&anárquico de Ferreira, Carlão ainda produziu e fotografou seu primeiro curta em 35mm, o antológico "Guru e os Guris"...h
carlão partiu recentemente, deixando projetos em aberto, e caminhos possíveis de cinema e poesia, para todos os gostos…
o que seria do cinema brasileiro sem Audácia…Alma Corsaria, Filmes Demencias que libertam da caretice dominante, apontando para outras ilhas de prazeres proibidos mas fundamentais…
Carlão e seu cinema livre e iconoclasta podem lembrados em outra critica de JF de seu filme Audacia,: A Baladíssima dos Trópicos x Picaretas do Sexo - título síntese de filmes-de-produtor da Boca do Lixo: "Um apanhado crítico da face oculta do cinema nacional. filmes péssimos, mas necessários (…) Trata-se de filmar a partir da impossibilidade de filmar. É preciso muita audácia para olhar em torno do cinema nacional. Olhar não para baladar os efeitos, mas para apontar os defeitos…"
ttp://vimeo.com/50171083
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Cinema de garagem no rio, brasil, ano dois mil e doze
O que significa cinema de garagem? Seriam filmes que estejam para um novo cinema de vanguarda, assim como as "bandas de garagem" estão para o que um dia foi chamado música alternativa ou independente ? Fiquei pensando neste conceito recente inventado pelos cineastas e críticos Marcelo Ikeda e Dellani Lima, referindo-se a um cinema mais afetivo e sem orçamentos luxuosos…Segue abaixo uma entrevista com Ikeda e Dellani, autores do livro Cinema de Garagem e curadores da mostra que está em cartaz na Caixa Cultural do Rio até 5 de agosto.
- um comentário de um realizador convidado pra mostra foi "cinema de garagem ? tem garagem no brasil? banda de garagem é conceito udigrudi americano…", como vocês definem o cinema de garagem ?
"Acreditamos que o cinema de garagem é um cinema de resistência contra um cinema massificado e padronizado, que domina não somente o Brasil mas o mundo. Quando vemos a programação dos filmes que passam no circuito comercial de cinema, são dois ou três filmes que ocupam 70% das salas. Achamos esse dado preocupante, pois a diversidade de modos de fazer e de olhar o mundo é importante para que o público possa compreender que somos diferentes, temos gostos, necessidades e afetos diferenciados. Buscamos enfatizar também que "cinema de garagem" não significa simplesmente um filme barato. As condições econômicas são, claro, um fator importante, mas nossa seleção levou em conta também outros critérios: são os aspectos éticos, estéticos e políticos dessa cena que nos interessam."
- Como foi a curadoria, vocês pensaram um recorte cronológico, temático ou é mais aleatório, afetivo?
"Acreditamos que o cinema brasileiro passa por um momento muito fértil, com a eclosão de uma geração jovem que se lançou ao cinema sem tela de proteção, renovando a forma de expressão no cinema brasileiro contemporâneo mesmo sem ter grandes orçamentos. Esses filmes foram feitos com modos de produção flexíveis, com uma produção em rede, apropriando-se dos ganhos da difusão da tecnologia digital e de um cenário de cinefilia. No entanto, esses filmes ainda permanecem pouco vistos e discutidos, esmagados por um cinema global hegemônico. Buscamos jogar um pouco de luz sobre essa cena, propondo um panorama que pudesse incluir uma grande variedade de estilos e olhares, incluindo um grande número de autores. Foram 25 longas e 44 curtas produzidos neste século."
- existe algum filme inédito ou nunca visto no rio ou no brasil nesta seleção de curtas e longas?
"Não fomos pautados pelo critério "ineditismo". O imperativo do ineditismo vem das imposições do mercado e da publicidade. Pensamos em selecionar filmes pouco vistos que tivessem propostas instigantes. Se são inéditos ou não, para nós importa menos."
- Como acontece hoje esta distribuição virtual de filmes afetivos, de garagem, experimentais, vocês acreditam que a internet seja mesmo a luz no fim do tunel ? e os cineclubes ?
"A internet é uma possibilidade que se abre para a arte independente. Que venham mais e mais porta(i)s a serem abertos. Os cineclubes são pontos de encontro. Não tem a lógica de programação comercial do circuito."
- quando o livro foi publicado, em 2010, vocês afirmam que o cinema independente mais interessante feito no Brasil hoje vem do nordeste (especialmente Ceará) e Minas Gerais. Como vocês vêem este panorama em 2012 ? Mudou alguma coisa ?
"Esses estados continuam com produções fortes. Mas tem muita coisa boa vindo de outras partes do país, como Recife e Rio de Janeiro. Recentemente tem despertado uma cena interessante na Paraíba e em Curitiba.
"
- O que vocês recomendam pro público carioca, entre os filmes e os debates, nesta edição da mostra? "Recomendamos que o próprio público faça as suas escolhas, a partir das sessões que propomos. Que o público se perca nas sessões, que se deixe levar pelo fluxo do filme, e que faça as suas próprias descobertas. Estas é que são as mais estimulantes!!!"
Mais informações sobre a mostra em:
http://www.cinemadegaragem.com
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| dez pro inferno, de nilson primitivo |
"Acreditamos que o cinema de garagem é um cinema de resistência contra um cinema massificado e padronizado, que domina não somente o Brasil mas o mundo. Quando vemos a programação dos filmes que passam no circuito comercial de cinema, são dois ou três filmes que ocupam 70% das salas. Achamos esse dado preocupante, pois a diversidade de modos de fazer e de olhar o mundo é importante para que o público possa compreender que somos diferentes, temos gostos, necessidades e afetos diferenciados. Buscamos enfatizar também que "cinema de garagem" não significa simplesmente um filme barato. As condições econômicas são, claro, um fator importante, mas nossa seleção levou em conta também outros critérios: são os aspectos éticos, estéticos e políticos dessa cena que nos interessam."
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| Estrada para Ythaka, Irmãos Pretti e Guto Parente e Pedro Diogenes |
"Acreditamos que o cinema brasileiro passa por um momento muito fértil, com a eclosão de uma geração jovem que se lançou ao cinema sem tela de proteção, renovando a forma de expressão no cinema brasileiro contemporâneo mesmo sem ter grandes orçamentos. Esses filmes foram feitos com modos de produção flexíveis, com uma produção em rede, apropriando-se dos ganhos da difusão da tecnologia digital e de um cenário de cinefilia. No entanto, esses filmes ainda permanecem pouco vistos e discutidos, esmagados por um cinema global hegemônico. Buscamos jogar um pouco de luz sobre essa cena, propondo um panorama que pudesse incluir uma grande variedade de estilos e olhares, incluindo um grande número de autores. Foram 25 longas e 44 curtas produzidos neste século."
- existe algum filme inédito ou nunca visto no rio ou no brasil nesta seleção de curtas e longas?
"Não fomos pautados pelo critério "ineditismo". O imperativo do ineditismo vem das imposições do mercado e da publicidade. Pensamos em selecionar filmes pouco vistos que tivessem propostas instigantes. Se são inéditos ou não, para nós importa menos."
- Como acontece hoje esta distribuição virtual de filmes afetivos, de garagem, experimentais, vocês acreditam que a internet seja mesmo a luz no fim do tunel ? e os cineclubes ?
"A internet é uma possibilidade que se abre para a arte independente. Que venham mais e mais porta(i)s a serem abertos. Os cineclubes são pontos de encontro. Não tem a lógica de programação comercial do circuito."
- quando o livro foi publicado, em 2010, vocês afirmam que o cinema independente mais interessante feito no Brasil hoje vem do nordeste (especialmente Ceará) e Minas Gerais. Como vocês vêem este panorama em 2012 ? Mudou alguma coisa ?
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| Aboio, de Marilia Rocha |
- O que vocês recomendam pro público carioca, entre os filmes e os debates, nesta edição da mostra? "Recomendamos que o próprio público faça as suas escolhas, a partir das sessões que propomos. Que o público se perca nas sessões, que se deixe levar pelo fluxo do filme, e que faça as suas próprias descobertas. Estas é que são as mais estimulantes!!!"
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| A Fuga da Mulher Gorila, Felipe Bragança e Marina Meliande |
segunda-feira, 25 de junho de 2012
OUVINDO COM OLHOS LIVRES
OUVINDO COM OLHOS LIVRES
"não há essa de que um filme experimental em qualquer latitude e em qualquer cinematografia nunca foi nem será ouvido: ele é ouvido. Ouça com olhos livres"
jairo ferreira
Muita gente que faz cinema e diz não entender essa "história de filme livre" não percebe que, do lado de fora dos estúdios glamourosos da zona oeste (velho oeste) e além, muito além do além das pretensões acadêmicas e industriais ele pode enveredar por outros caminhos empoeirados, sem atalhos, sem carona nem parada no drive-in hamburguesado. cinema, suor e lágrimas. seu itinerário e estágios são, entre outros: êxtase criativo e falência econômica (quando decide viver apenas de seu cinema experimental, radical, livre) e em certo momento a saída através da busca criativa pela sobrevivência, independente de apenas fazer filmes, dirigir filmes, pelo menos no brasil, onde realizar filmes independentes e experimentais não dá pé economicamente, mas pode gerar direta ou indiretamente alguns momentos de dignidade, prazer ou conforto.
o que seria filme livre (um filme livre de quê? de patrocínio do estado / leis de incentivo? livre de formatos / gêneros pré-estabelecidos?). livre é um conceito em movimento. depende do ponto de vista, estado de espírito e do contexto histórico etc. para meliés, o cinema delirante que ele acreditava ser possível além das fotografias em movimento dos irmãos lumiere, é de certa maneira uma proposta de cinema livre.
quando nos perguntamos porque trabalhamos com filmes (no seu mais amplo sentido), poderíamos também questionar: que filmes queremos ? repetir filmes já feitos ? abrir caminho para novas imagens em movimento ou buscar imagens e sons (música da luz?) que de uma certa maneira nos estimulem a
veicular e incentivar, no sentido mais ideológico do que financeiro (além de ver, ouvir e fazer) novos conteúdos e formas de produção.
numa conversa mais ou menos recente sobre os motivos que nos levam a cometer estes delitos audiovisuais, uma amiga, realizadora, me revelou que faz filmes para viajar…se inspirar a fazer outros filmes e viajar outra vez….
parece ser um motivo bem sensato.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Kid Morengueira e o samba cinematográfico
KID MORENGUEIRA E O SAMBA CINEMATOGRÁFICO
"Quem criou foi eu o samba-de-breque, em 1936. Um samba completamente parado pra falar.
Breque é uma palavra inglesa que manda parar. O 'stop', né ?"
Moreira da Silva, Opinião 10/10/76
"Moreira da Silva é um revolucionário da linguagem musical"
Jards Macalé, 1978
O cantor Moreira da Silva (1902-2000) possui uma obra singular e inconfundível, passando pelos diversos sub-gêneros do samba com destreza, da batucada ao samba-de-breque, do samba-choro aos pontos de umbanda. Buscando inspiração para seus sambas nas gafieiras e delegacias, segundo o jornalista Lucio Rangel no texto de apresentação do LP “O Último Malandro”, de 1958, Moreira da Silva se tornou um cronista exemplar uma classe social, a do malandro pernóstico, do boêmio , do contador de vantagem.
Nos anos 30, quando a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, começou a promover concursos de sambas, tornou-se tricampeão do concurso oficial do carnaval carioca. Interpretou clássicos de Geraldo Pereira, Noel Rosa, Wilson Batista, Lupicínio Rodrigues, entre outros, tornando-se um cantor autenticamente popular. À partir de 1937, com a gravação do samba “Jogo Proibido”, considerado um marco do surgimento do samba-de-breque, sua interpretação passa a adotar uma caracterização marcadamente malandra, improvisando nos intervalos dos versos frases cheias de gírias, pesquisadas ao longo de anos convivendo com a nata da malandragem da Estácio, Lapa e adjacências.
Nos anos 60, com quase 30 anos de carreira, Moreira transforma-se em Kid Morengueira, e "estrela" uma série de sambas cinematográficos interpretando heróis do cinema americano, posteriormente se passando para o cinema italiano, nas divertidas composições de Miguel Gustavo. O Rei do Gatilho, O Último dos Mohicanos, O Seqüestro de Ringo, Morengueira Contra 007 e Os Intocáveis, são sátiras ao cinema de Hollywood, com bandidos mascarados, mocinhas indefesas, índios mohicanos, agentes secretos, gangsters de Chicago, bandidos da máfia italiana, cangaceiros, entre outros.
Ao excursionar por Portugal para uma série de shows, Moreira da Silva é convidado para fazer uma participação no filme A Varanda dos Rouxinóis , de Leitão de Barros , produzido em 1939. É a estréia (internacional) de Morengueira nos cinemas. De volta ao Brasil, faz participações especiais em alguns filmes musicais-carnavalescos, e em 1961 filma com Sanin Cherques Briga, Mulher e Samba. O cineasta Rogério Sganzerla, por sugestão de seu então assistente de direção Ivan Cardoso, convida Moreira para participar de seu filme Sem Essa Aranha, de 1970. Por sua vez, Cardoso realiza o curta Moreira da Silva, em 1973. Na trilha sonora, clássicos do samba-de-breque, como Na Subida do Morro, Que Barbada, Pistom de Gafieira e Acertei no Milhar.
O legado dos 3 malandros
Nas décadas de 70 a 90, mesmo com a idade avançada e o advento da bossa nova, o tropicalismo e outras modernidades musicais, Moreira continuou gravando discos e influenciando dezenas de músicos e compositores, até falecer em 2000, cinco anos depois de gravar seu ultimo LP, Os 3 Malandros In Concert, ao lado de Bezerra da Silva e Dicró.
Nas décadas de 70 a 90, mesmo com a idade avançada e o advento da bossa nova, o tropicalismo e outras modernidades musicais, Moreira continuou gravando discos e influenciando dezenas de músicos e compositores, até falecer em 2000, cinco anos depois de gravar seu ultimo LP, Os 3 Malandros In Concert, ao lado de Bezerra da Silva e Dicró.
domingo, 27 de maio de 2012
on the road com che guevara
depois de transformar che guevara em "pastel de vento", segundo luiz rosemberg filho,
o que teria acontecido com o jack kerouac do walter salles ? porque ninguém fala nada nada sobre o cinema brasileiro em cannes ? acredito em apostas nos curtas ou no projeto de cavi e luciano vidigal sobre os atores de cidade de deus, 10 anos depois...vamos ver pra onde andará o colosso do sul, como diria fred 04.
sábado, 5 de maio de 2012
E O TESOURO PERDIDO DE NAVARRO
Depois de exercitar a linguagem clássica com alguma
experimentação visual em seu longa de estréia Eu me Lembro, de 2005, 7 prêmios no Festival de Brasília,
incluindo diretor e roteiro, em O Homem
que não dormia, Edgard Navarro assume todos riscos de fazer um filme
provocador e livre, apostando num
estilo inédito, que aparentemente não tem
relação com nenhum de seus filmes anteriores. O Homem que não dormia é um filme de mistério, se aproxima de um
terrir, pra ficar na definição do inventor Ivan Cardoso. Num debate sobre o
filme Navarro definiu como “sessão espírita as avessas...”, mas nos jornais
mais categóricos seu gênero ficou definido entre terror e suspense. Um filme
estranho, certamente, de difícil
assimilação. No entanto, se
tentarmos um mergulho mais profundo, encontraremos submersas várias angustias e
perplexidades de Navarro: a loucura e a repressão moral e política de uma
cidade provinciana (Navarro considera sua cidade uma Macondo mas seria
inconscientemente Salvador ou outra cidade brasileira?), a crítica a uma
hipocrisia da igreja católica, o sexo como necessidade visceral, um certo
coronelismo ancestral típico do nordeste, o sincretismo e a pan-religiosidade e
a busca de uma espiritualidade mais eclética.
Se voltarmos ao final psicodélico de Eu me lembro, podemos tentar entender as
cenas iniciais de O Homem Que Não Dormia
como uma continuação daquela viagem de cogumelos, porém o êxtase da sua infância em retrospectiva felliniana
se transforma numa bad trip agoniada
e caótica, que aos poucos se transforma numa bela e estranha narrativa. Navarro
faz um filme atormentado como que pra desfazer um determinismo trágico, pra se
livrar de um karma...
A base do roteiro, escrito em 1978 e que esperou
mais de 30 anos para ir para as telas (seria o tesouro perdido de Navarro?)
está nas prosas e na contação de histórias, mitos e lendas somadas ao pesadelo
de Navarro; o Saci, a Mula sem Cabeça, a metáfora do tesouro escondido...este
universo nos remete ao imaginário e as canções da personagem Creu (Valderez
Freitas), de Eu me Lembro, um
universo mais da senzala que da casa grande. ”O tesouro maior é aquele que
liberta a pessoa da amarração do destino” profetiza a vidente, que dá consulta
e banho de ervas para ao padre buñuelesco interpretado por Bertrand Duarte.
Numa das seqüências iniciais com o Coronel, retorna ao tema do suicídio metafórico (o revolver roubado
do pai em Eu me lembro) e o revolver
como símbolo fálico de poder.
Navarro retoma também o seu desprezo pelo autoritarismo e a loucura
gerada por uma repressão moralista e católica, bem tipicamente brasileira, com
o inacreditável personagem Pra Frente
Brasil (Ramon Vane - Prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília de 2011). A busca de uma espiritualidade fora
da igreja, fora da tradição católica, não deixa dúvidas de que filme e diretor
são a favor de todas as liberdades, e Luiz Paulino dos Santos é a figura mística
que transita entre o a realidade e a fábula e é a alma do filme (Seu Paulino
como ser andante e em busca de outra espiritualidade além da pregada na igreja
ortodoxa, no Santo Daime), e os planos que caminha pela incrível paisagem do
recôncavo baiano cantando os hinos de Mestre Irineu devem ficar na história do
cinema brasileiro moderno e ancestral.
O Homem que
não dormia
é um filme para ver e ouvir muitas e muitas vezes. Infelizmente, encontrará
poucas telas para ser visto e escutado... Sylvia Abreu, produtora do filme,
lamentou a falta de salas para este tipo de filme, no lançamento do filme no
Rio, no Cine Odeon, mas Navarro considera cumprida sua missão – espiritual e criativa.
Chico Serra
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