quarta-feira, 12 de abril de 2017

Com o terceiro olho na terra da profanação: Abrindo o terceiro olho ou as bruxas de Nilópolis




Segundo o wikipédia (cujas fontes sobre este tópico não são citadas), o terceiro olho ou o sexto chakra, como é conhecido no hinduísmo, pode alcançar um alto grau de capacidade intuitiva e sensitiva se for bem desenvolvido. Enfraquecido, pode apontar para um certo primitivismo psico-mental, ou no aspecto físico, pode evoluir para um tumor craniano, ou seja, o câncer. Esta tradução metafísica pode ajudar a compreender bem a mística que envolve a realização deste filme singular e surpreendente realizado dentro de um processo coletivo e colaborativo, segundo sua diretora Catu Rizo. “Qualquer coincidência com a realidade é pura magia”. Destes elementos, surge um filme feminino poderoso, que pode ser visto também como uma crônica anárquica sobre a vida social de três jovens amigas a flanar pelo subúrbio (o filme foi rodado em Nilópolis, Baixada Fluminense, território místico e subversivo por natureza). Em busca de afeto e liberdade, as protagonistas promovem sessões de bruxarias em terrenos baldios e outros territórios simbólicos. Com o Terceiro Olho na Terra da Profanação, estréia no longa metragem da diretora Catu Rizo (guardem esse nome!), ainda é sublinhado por uma poesia incrivelmente livre e uma seleção musical intergaláctica, onde escutamos Patti Smith, Mercenárias e Smetak, entre outras freqüências sonoras, como a banda punk rock no bar sem nome, que aparece a certa altura do filme nos revelando que “tudo que é sólido desmancha no ar”...
RJ, verão 2017
Chico Serra


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