Segundo o wikipédia (cujas fontes sobre este tópico não são citadas), o
terceiro olho ou o sexto chakra, como
é conhecido no hinduísmo, pode alcançar um alto grau de capacidade intuitiva e
sensitiva se for bem desenvolvido. Enfraquecido, pode apontar para um certo
primitivismo psico-mental, ou no aspecto físico, pode evoluir para um tumor
craniano, ou seja, o câncer. Esta tradução metafísica pode ajudar a compreender
bem a mística que envolve a realização deste filme singular e surpreendente
realizado dentro de um processo coletivo e colaborativo, segundo sua diretora
Catu Rizo. “Qualquer coincidência com a realidade é pura magia”. Destes
elementos, surge um filme feminino poderoso, que pode ser visto também como uma
crônica anárquica sobre a vida social de três jovens amigas a flanar pelo
subúrbio (o filme foi rodado em Nilópolis, Baixada Fluminense, território
místico e subversivo por natureza). Em busca de afeto e liberdade, as
protagonistas promovem sessões de bruxarias em terrenos baldios e outros
territórios simbólicos. Com o Terceiro
Olho na Terra da Profanação, estréia no longa metragem da diretora Catu
Rizo (guardem esse nome!), ainda é sublinhado por uma poesia incrivelmente
livre e uma seleção musical intergaláctica, onde escutamos Patti Smith,
Mercenárias e Smetak, entre outras freqüências sonoras, como a banda punk rock
no bar sem nome, que aparece a certa altura do filme nos revelando que “tudo
que é sólido desmancha no ar”...
RJ, verão 2017
Chico Serra
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