terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CANÇÃO DE BAAL OU A VIOLENTA LUZ DO AMOR

“A razão pura é a intuição” 
Albert Einstein

Musical antropofágico, ópera de cabaré, cine-ópera de invenção, “Canção de Baal” é um violento filme de amor. E a metáfora mais clara do amor está na frase de Einstein, que encerra os letreiros finais. Inspirado livremente na peça de Brecht, e na passagem de Einstein pelo Brasil, ambos realizados em 1919, “Baal” é o filme mais lindo da atriz mais linda que o cinema de invenção já teve em suas telas... Helena Ignez, a musa taoísta do cinema novo e do cinema de invenção (homenageada na MFL, em 2007, mas o filme estava em fase de montagem), uma frase do filme poderia bem se tornar o novo slogan do nosso evento: “quando se entende uma estória, é porque ela foi mal contada...”
A luz de Aloísio Raolino e André Guerreiro Lopes fazem explodir na tela uma poética verdadeiramente livre, ao mesmo tempo violenta e sutil, como a melodia rouca de Carlos Careqa, que interpreta Baal com sagacidade. A narrativa é propositalmente desconstruída e a direção e escolha dos atores conseguiu unir o despudor total da turma do teatro Oficina (Uzyna Uzona) com a doçura de Beth Goulart e Simone Spoladore. Um escândalo poético e amoral. Chorei as duas vezes que vi o filme (me perdoem os leitores caretas, é a verdade).

O amor livre de Baal, mesmo grotesco, é apaixonante, porque tem uma verdade visceral. Os arquétipos femininos que o amam e odeiam, mesmo percorrendo caminhos tão distintos, são a foto-síntese do personagem Baal, poeta marginal e bon-vivant, antropófago que come todo mundo, e, sobretudo, come a si mesmo, procurando em “mares de absinto” a violenta luz do amor pela vida. (MFL 2009 – CS)

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