domingo, 14 de setembro de 2014

AMOR, PLÁSTICO E BARULHO

A periferia de Recife em ritmo de tecno brega e sensualidade explosiva! O sonho do sucesso a qualquer preço, da lama ao caos, dos programas de TV de sábado a tarde as boates e clubes do subúrbio, a decadência de uma banda brega com muita interferência de material bombástico de baixo calão e baixa resolução. A música, os programas de TV, os produtos baratos de beleza instantânea e o amor de rápido consumo. Não podendo amar de verdade, é preferível o amor da ficção do show business. Mesmo com tanto ruído sonoro e visual (seria o tal barulho do título?), a dupla de protagonistas do filme são plenas de dignidade. As imagens de arquivo da inauguração do shopping center ("um dos maiores do Brasil") é um filme a parte. Impossível não lembrar de "Tatuagem", de Hilton Lacerda, de alguma coisa dos filmes de Claudio Assis e Edgard Navarro, da psicodelia brega e cabocla dos clipes de Gaby Amarantos. Amor Plástico e Barulho é o cinema de Pernambuco gritando para o mundo a poesia da periferia, e com requintada cenografia desconstrói o sentimentalismo barato de um certo "brega way of life", num olhar afetuoso e (a)moral sobre personagens tão cretinos quanto carismáticos. 

Obs. O filme ganhou o prêmio FILME LIVRE na MOSTRA DO FILME LIVRE 2014.

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