segunda-feira, 28 de abril de 2014

Mostra do Filme Livre 2014 - Curadoria em Processo

Seguindo o caminho que comecei ano passado, em colaboração com Marcelo Ikeda, desta vez publico apenas os filmes que assisti no processo de curadoria da Mostra do Filme Livre 2014 (ou seja, não é um relatório crítico de todos os filmes inscritos, mas  sim de todos os longas  e médias que vi e selecionei (e também os que achei que não deveriam fazer parte da Mostra do Filme Livre 2014). Mais uma vez vale a pena lembrar que o processo dos textos(ou resenhas ou o que quer que seja) foi feito em escrita automática, portanto a norma culta da língua foi para o escanteio da emoção e da para-psicografia crítica em muitos atos...

Boa leitura !

O Desejo do Morto
Começa como filme existencialista sobre um idoso extremamente metódico que tem uma obsessão pela própria morte, e deseja que sua família realize todos seus desejos(do caixão escolhido por ele até o endereço da quadra exata e do cemitério escolhido por ele). Dá  uma virada quase trash, com uma cena genial, da adolescente que coloca o disco do David Bowie na vitrola (“Ashes to Ashes”, de David Bowie), e ao sofrer ataque do zumbi assassino o disco pula e passa a tocar “Scary Monsters”. Filme Livre !

Ritos de rios e ruas
Teledocumentário ecológico sobre regiões rurais de SP e Santa Catarina,enfocando o impacto das mudanças no meio ambiente etc. Saudosista e jornalístico demais, entrevistas vagas e óbvias demais (como as diferenças entre a vida no interior e da cidade grande ), além questões ambientais extremamente didaticas como a história do rio Tietê, a qualidade de vida e a expansão industrial da megalópolis. Aula de biologia interessante. Obs. Cartelas MinC e patrocínios vários...


Em busca do pilão assado
Documentário sobre cidade perdida no interior da Bahia. Os longos travellings pelas estradas empoeiradas e a paisagem do Rio São Francisco,  vista da travessia de Barco,  com sua fauna e flora filmados a la globo ecologia, que ocupam os primeiros 7 minutos do filme, desencorajaram o curador a assistir o filme até o final. Depois, segue um padrão de entrevistas, bastante jornalístico, que não traz interesse alem de pesquisas sociológicas e naturais específicas praquela região.

O Matador de Ratos
Terror ou ficção científica???Instigante média metragem de PB, um roteiro que beira o trash mas que é desenvolvido com uma direção precisa, sobre um funcionário de empresa de raticida, que acaba viciado no produto que faz as ratazanas morrerem em poucos minutos...


O poder dos afetos
Interessante processo experimental que vaga entre ficção e uma experiência pessoal entre os atores/personagens...Spoladore,Ney,Sinai e outros,inventam e revelam impressões e experiências pessoais....
É um filme de amizade, extremamente pessoal (um filme ritualístico no sentido esotérico/místico, com adereços da pomba do divino e da virgem da conceição, tambores e referências a orixás e a tradição indígena do ayahuasca). Encontro de gerações...musical e alegorio. Metacinema...

Filme Picaretagem na Praça da Sé
O Titulo diz a que veio, mas infelizmente a picaretagem não tem nenhuma  criatividade. As cenas iniciais lembram muito as pegadinhas do SBT. O momento musical na praça da sé  é hilariante. Não deixa de ser um documentário punk, sobre o povo de rua do centro de SP.

Memória tangerina mulheres legendadas 7o corte
Tem uma necessidade de apresentação a apreensão/domínio de um  certo refinamento do tipo “sou Cult”... duas mulheres viagam numa bad trip
“ler e ver filme fode com a vida”...fala um persongem do filme...
“o que é a intimidade.  A caxinha de musica.”
TEM UMA bossa nova das legendas de extracampo, ou seja, o diálogo do filme e as legendas se complementam ou se contradizem...



Nós

Quase Teatro filmado...depois vira doc ou making of...sobre o processo da montagem de uma peça de teatro(e da situação da política cultural do teatro numa cidade do interior da Bahia)

Astro*Lábio
Vídeo protesto de bricolagem ou filme Black block. A Edição é esperta e maneirista...mas existe um discurso anti capitalista (ao som de rock n roll made in usa) que soa global demais, que lembra aquela velho clichê: vamos mudar o mundo...algumas cenas se salvam (inclusive uma entrevista de Godo roubado da MFL), mas apresenta um discurso um pouco generalista demais. Os cortes do Silvio Santos com sua famosa máxima : “quem quer aviãozinho” para os aviões explodindo o WTC em 11 de setembro , pra entrevista com Bob Marley e a legalização da erva, o que significam? Este mosaico sobre liberdade(como se define na sinopse), consegue misturar uma cena de luta com Bruce Lee ao som de Frank Sinatra e , soa demasiado ingênuo e vazio...
Aprendi a jogar com você
Cinema direto em vídeo. Documentário(?) observacional, revela o processo de trabalho do DJ Duda, que realiza shows nas cidade satélite de Brasília e Goiás, e inventa formas novas de divulgar seu trabalho, de forma totalmente independente, criando e recriando novos hits inustidados.  A evidência de um mercado totalmente informal e ao mesmo tempo extremamente popular, a estrutura de trabalho colaborativo familiar e entre parceiros, o documentário  revela a sutileza de um filme/processo onde a intimidade entre o realizador/equipe e o personagem é parte do jogo. Impressiona também a simplicidade do protagonista em articular shows, driblar burocracias e organizar sua equipe de forma singular. A discussão sobre o roteiro do documentário entre o diretor (ou o fotógrafo )e o protagonista revela que estamos num terreno que não pertence ao documentário tradicional. E traz a tona um pensamento de DJ Duda, e que expõe o próprio processo do meta-crítico do documentário: “Tudo bem que tem uma parte de verdade mas não é legal que o filme seja 100% verdade”. 
O Uivo da Gaita
Filme bressaniano de B.Safadi sobre amor (amor líquico,pra ser mais preciso) e liberdade.  Um filme belo, vazio e extremante plástico, iluminado por Ivo Lopes Araujo,e se refere a uma “intensa atmosfera de prazer visual”... E neste ponto ele é generoso: seus longos e sensuais planos sequencia deixam feliz qualquer fã de Mariana Ximenes....Sua produção, realizada simultaneamente com outros dois longas,O rio nos pertence e Meta Mancia, num projeto batizado Operação Sonia Silk (inspirado na personagem de Sganzerla de um dos filmes realizados pela Belair, fugaz produtora criada por Rogério e Bressane), foi divulgada como alternativa aos meios industriais de produção ,  como sendo um exemplo de filme colaborativo, com equipe reduzida e afetiva etc, mas a estrutura do filme, livre no sentido dramático, apela pra rostos famosos e paisagens turísticas, filmadas com embalagem Cult. Curiosamente a sequencia mais interessante do filme é o almoço japonês, é beaseado na instalação Ações para terra, para água II (Janaina Rodrigues e Hortência Abreu).Um curta experimental  de 70 minutos. 

O Rio Nos Pertence
 A cidade como a metáfora de uma tristeza sombria. Fantasmas do passado e presente atormentam a memória de uma personagem que retorna a sua cidade natal em busca de respostas, mas reencontra desilusões e pesadelos bem reais.
A solidão e a morte, temas tão caros aos irmãos Preti, são recorrentes neste filme incômodo que traduz uma bela metáfora da morte cultural de uma cidade.

Tão longe é aqui
Documentário autobiográfico ou filme viagem de uma brasileira a Cabo Verde/África. Um filme/herança que a diretora quis deixar pra sua filha, quando esta alcançasse os 30 anos. Obs.vi ate os 10min.

Enchendo Lage (sambando na merda)
Enchendo lingüiça em câmera de celular...um filme assumidamente retardado,débil mental...
Israel Casa de Bamba
Doc sobre presença da musica brasileira em Israel, especialmente samba traduzido em versões israelenses. Interessante pesquisa de material de arquivo, mas acaba se resumindo a uma cine-reportagem curiosa.

Sagrada Terra Especulada
documentário de protesto sobre a terra indígena bananal,em Brasília, que sofre ameaças de expulsão pelo governo do distrito federal, que quer transformar a terra em condomínio de luxo. O filme se resume a depoimentos, bastante pertinentes,  mas funciona mais como vídeo-denúncia sobre um processo sofrido pelos povos indígenas no Brasil,não acrescentando muito a forma das produções documentais indígenas contemporaneas,além da funcao informativa..

Banana da terra, o filme
Doc sobre espaço alternativo de difusão e produção cultural em Viçosa, MG. Relata momentos de guerrilha, mas principalmente afetivos e de solidariedade entre os integrantes do espaço, que idealizaram e construíram um galpão multicultural no interior de MG. Destaque para  a dignidade e um carisma muito grande entre os protagonistas que deram início ao projeto, porém o filme é demasiado jornalístico,mesclando depoimentos e material de arquivo em doses equilibradas demais...


O Sol nos Meus Olhos
Filme de estrada e mistérios. Após a misteriosa morte de sua companheira,Homem solitário vai pela estrada sem destino com o cadáver guardado numa mala, no banco de trás. A partir da estrada, o filme segue um método similar ao de Jorge Bodansky e Orlando Senna em Iracema (embora o contexto seja bem outro), aproximando o filme de um documentário na interação entre a personagem e as pessoas que passam pela sua trajetória, seja na balsa, na parada dos caminhoneiros...A ausência de diálogos ficcionais passa a tomar conta da primeira metade do filme. A estrada como busca de esquecimento ou da ausência de um pertencimento. O encontro com o ancião em Lumiar é um dos poucos momentos de alento, mas a dor não cessa enquanto existe memória (e saudade). ★★★★★

Avacalha e se esculhamba
Documentário sobre o cinema de Rogério Sganzerla, com ênfase no filme Bandido da Luz Vermelha  com depoimetos de Carlos Ebert, Julio Calasso, Helena Ignez, Julio Bressane. Apesar de rememorar curiosidades dos bastidores de filmagem do Bandido,  não se aprofunda na obra do cineasta e se resume a uma montagem de cabeças falantes e imagens de arquivo de filmes de Sganzerla.
Alidje
Filme de mistério?Terror ou terrir? O uso e abuso de trilha sonora óbvia demais, a direção é pior que de novela da record e um certo clima de nostalgia que não segura a onda do filme...invisivel cinco estrelas.


Cataclismos, devaneios e carnaval
Histórias paralelas. Uma mulher tenta encontrar o namorado na véspera do carnaval. Homem pede ajuda a uma amiga para se transformar em mulher para um filme de carnaval. Ficção e documentário,intercalado por cartelas que pontuam os textos de SMS. A partir da segunda parte, assume o filme dentro do filme e se torna um misto de performance, improviso e filme processo de atores em busca de personagens...Filme produzido pelo coletivo A Margem. 
A Filha de São Sebastião
Documentário bem realizado sobre as festas na comunidade quilombola de Tabatinga, no interior de Minas Gerais, lideradas pela Dona Tiana , que reúne elementos da umbanda e do catolicismo popular. A reverência, os costumes e rezas, que reúnem o sincretismo da crença nos orixás e a tradição das festas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário,herança de seus antepassados escravos, que realizavam as festas do reinado há séculos.  
Apesar do uso excessivo de entrevistas, tem uma bela direção de fotografia e interessante ensaio antropológico , que lembra alguns documentários realizados por Elizeu Visconti sobre cultura popular.
Mané Gavião
Drama rural, comédia e faroeste tupiniquim, sobre um garimpeiro que assume a identidade de um temido pistoleiro do interior de Minas. A direção assume um tom de ironia que soa exagerado demais...
A Ilha
Um parto. Um ritual sinistro. A dor e a loucura.
São filmes assim que faz a gente acreditar que a mostra do filme livre tem sentido de existir. ★★★★★
O que Lévi-Strauss deve aos Ameríndios
Levi-Strauss revisitado, em depoimentos de antropólogos brasileiros e franceses. Um vasto material iconográfico e a inovação e ressonâncias da obra produzida pelo antropólogo. A sua aproximação da filosofia dos ameríndios, através da leitura através dos mitos,é enfatizada neste documentário que se baseia numa estrutura de entrevistas.
As Iracemas
Documentário poético sobre quatro mulheres que vivem isoladas na região Alto do Mingú, MG. Buscando um olhar olhar antropológico utilizando por vezes uma câmera observacional e alternando entrevistas sobre o cotidiano das mulheres,o filme se perde nas boas intenções que não registram mais do que o fascínio do diretor pelo estilo de vida das caboclas.
O Certinho
Filme de oficina.  Tosco, histérico e invisível.
Para Tchecov
6 contos de Tchecov, adaptados por atores e diretores do Grupo Galpão. A pesquisa sobre a obra do autor russo se traduz em curtas irregulares, enquanto exercício de direção de atores (os episódios do Bilhete Premiado e da loja de armas são os que sobressaem). A decupagem dos contos/curtas no formatinho tradicional do plano e contra plano é cansativa.

Orquestra Voadora – Cinco Carnavais
Documentário musical bastante espontâneo sobre os ensaios da Orquestra Voadora e os momentos que antecedem os blocos de carnaval e diversos shows da OV pelo Brasil (e Europa). A diversidade musical da orquestra e o potencial de encontro afetivo entre instrumentistas, fãs e colaboradores é o momento alto do filme. É bem simpático para um doc quase institucional sobre a OV (as imagens de arquivo com matérias nos jornais com Wagner Montes etc acabam tendo efeito contrario a idéia do montador Daniel Paiva ( um dos trumpetistas e fundadores do grupo) – pelo menos pra mim causam uma certa recusa  - de quando um movimento espontâneo começa a chamar atenção na mídia, que geralmente o classifica com adjetivos bem formatados e  que acabam não traduzindo bem o astral das apresentações dos caras ). Muito mais interessante é o processo nas ruas, com a multidão seguindo o bloco, ao som extasiante de Michael Jackson e Fela Kuti, Baden Powell e Vinícius.



A Besta Apocalíptica
Trash risível e invisível.
Desagradável
Doc talking head porem com imagens de arquivo inacreditáveis sobre as performances de metal macumba do Gangrena Gasosa, que tocava em lugares míticos como Garage, na Praça da Bandeira. Curioso filme de memórias da cultura udigrudi do RJ. Filme convidado talvez. KZL ?Trash?
Um filme de dança
Uma investigação em torno de diferentes grupos de danças ligados de alguma forma a matriz africana. Carmem Luz faz um retrato sensível, buscando em detalhes de corpos em movimento uma estética que reflete uma trajetória humana. Mas como documentário, o filme busca um panorama da dança étnica contemporânea, a influência do candomblé, e o preconceito da critica de dança em relação a influência africana nas escolas e grupos de dança, bem como a falta de reconhecimento no Brasil desta cultura “do tambor”, em contraponto a seu reconhecimento nos EUA e Europa. e outras questões pertinentes. O formato do doc é bastante tradicional, baseado em grande parte em entrevistas, porém a escolha dos entrevistados e principalmente a presença das performances que tomam corpo no filme para alem de uma mera ilustração dos depoimentos merece uma atenção especial.

Luises Solrealismo Maranhense
Filme coletivo feito sem recursos, sobre a situação política/anti-social da capital maranhense(e por extensão do Estado do Maranhão). Mesclando depoimentos sobre o caos da saúde e da situação agrária,  um manifesto contra os podres poderes do clã dos Sarneys(que governam o estado há mais de 40 anos), colocam em cheque de forma inventiva o caos e a absurda situação histórica da região.
Sobre 7 Ondas Verdes
Poesia e travellings cansativos por estradas da Brasil/Europa. A poesia é de Caio Fernando Abreu, e a sequencia das leituras de sua obra soa fria e gratuita demais. Porque a escolha de figuras tão demasiadamente midiáticas para compor a trajetória de Caio F. Abreu?Palavrassom&imagens em montagem aleatória/vaga demais...E um excessivo culto a personalidade e tentativa de busca de uma intimidade que distancia mais do que aproxima da obra.
Uma Passagem Para Mário
Entre a vida, a amizade e a morte, o documentarista(Eric Laurence) perfaz uma viagem como forma de despedida de um amigo (Mário), que se encontra em estado terminal de câncer, e  nesta jornada, em  busca de partículas divinas, como um caçador de sonhos, e se despede de seu amigo em grandes planos gerais que desmistificam a ordem natural de uma gramática cinematográfica(onde o plano geral está para a descrição assim como  plano detalhe ou closeup está para emoção); aqui o plano geral remete a um rito de passagem, a um brilho de consciência sobre a morte e um compromisso de uma última coisa a fazer: viver cada dia. E a trajetória do autor/personagem em Uma Passagem Para Mario segue por paisagens mágicas: o deserto do Atacama, as minas de Potosi,  e um mergulho subaquático no fundo do mar de Fernando de Noronha....Fragmentos da vida e da amizade, e alguns encontros possibilitados por este caminho/ empreitada que o diretor se propõe, como o trio musical, um xamã boliviano ou chileno, um minerador que faz o ritual a um deus pagão, submerso na minas, a quem oferta cigarros e sua sorte. “Quando uma pessoa morre ela passa a fazer parte da terra. Do universo...” consola um xamã na fogueira...Um filme de despedida, uma tentativa de ir além da amizade e dor da morte, de poder levar algo do outro consigo, numa viagem audiovisual sublime, neste filme que é um singular rito de passagem...
Documentário Uma Tonelada de Maracatu
Institucional sobre o maracatu tocado por diversos grupos de São Paulo, suas influências, lutas e origens. Válido como registro da cultura popular num centro urbano multicultural como Sampa,mas o formato/discurso do doc é bastante raso e se resume uma longa matéria jornalística.
Música Serve Pra Isso
Doc sobre a trajetória dos Mulheres Negras. Documento importante pra quem curte o som dos caras,mas sem novidades além das performances do Mulheres no palco, em bela pesquisa de imagens de arquivo.
Vaidade
Novelão com requintes de clássico invisível. Mulher de meia idade em crise recebe de uma taróloga charlatã um aviso de que algo mortal vai lhe acontecer...E a partir daí a trama mistura crise de mãe que não quer aceitar as marcas do passado e encontrar , filha aborrecente, com pseudo-suspense / fantástico do tipo “dormindo com o inimigo”. Hilariê.
Lets Play Jazz
Colóquio filosófico despojado e informal com Auterives Maciel, José Vasconcellos,Ivana Bentes e outros sobre antropofagia e capitalismo, a busca de um pensamento filosófico brasileiro, a banalização da imagem (imagem nova x clichê),  mixado com jazz ao vivo e no soundsystem e uma performance épica – Dionísio Touro canta os cantos da Terra, visto por um olhar compenetrado de Luiz Rosemberg Filho, o que significa? 
Não compreendi a presença das patricinhas da filosofia, que escutam música e passeiam pelas ruas, e não tem nenhuma relação aparente com o discurso filosófico do filme.
Filme livre e confuso. Muita câmera na mão atrapalha.
A Volta da Paulicéia Desvairada
Mergulho na noite gay paulistana, com entrevistas com figuraças. Um panorama da fauna e flora paulistana, através de bem humoradas entrevistas com personagens anônimos, que  coloca em evidência a diversidade sexual/cultural de um grande centro urbano como o de Sampa. O filme começa muito bem, mas a opção de doc interativo / entrevistas acaba cansando na segunda metade, apesar de alguns bons momentos.
São Paulo em Hi-Fi
Um filme de memórias das pioneiras boites Gay em SP.  De certa forma, complementa o doc A Volta da Paulicéia Desvairada, do mesmo diretor, mas se o primeiro tem a seu favor a esponaneidade dos depoimentos em plena balada, este SP em Hi-Fi acaba se tornando um filme demasiadamente saudosista e ainda mais formal no sua estrutura entrevista-imagens de arquivo do que o anterior.
Travessia
Grupo de estudantes percorre um trecho de SP até a Bahia, realizando do processo da viagem um filme documental, sem roteiro, captando em cinema direto os momentos, encontros e monólogos interiores(em forma de diários pessoais de integrantes da equipe). O filme ainda propõe uma infeliz homenagem a Guimarães Rosa, com citação de dois ou três trechos de Grande Sertão: Veredas, mas não consegue captar o espírito do escritor mineiro, acabando por se tornar quase um filme turístico sobre o autor de A Terceira Margem do Rio. O final feliz soa como uma tentativa de auto-ajuda.

Cinco Maneira de Fechar os Olhos
Personagens em conflitos diversos(adolescentes em bad trip,tentando descobrindo amor e o sexo, casal separado que  tenta em vão dividir a guarda dos filhos, ex-marido hetero que resolve sair do armário),que  fazem parte de uma mesma teia de inter-relações familiares complexas. Drama familiar morno e  filme de vários personagens que lembra Altman, e tem um certo clima David Lynch, mas bastante desgastado pela direção de atores irregular e excesso de diálogos que não fazem o filme sair de uma estrutura óbvia demais.

A Outra Face
Filme de oficina hiper tosco, que força a barra demais no dramalhão( pai alcoólatra, mãe tenta criar filha com dificuldade no sertão etc...). Extremamente precário, em todos os sentidos, e não busca nada de novo alem do dramalhão novelesco.

Jimi Hendrix e a fonoaudióloga
Filme de colagem,bem ao estilo dos outros trabalhos de Fabio Carvalho, mas igualmente cansativo e vago. Poesia, contestação, experimentação. Bela edição de som.

Ensaio sobre o silêncio
Doc sobre o processo de ensaios e gravações de músicas de um grupo de instrumentistas e intérpretes, que seguem uma linha joãogilbertiana. Homenagem a João Gilberto e a bossa nova com cara de making of de cd. A montagem dá muitas voltas e não chega a outro lugar além de um lugar comum do que se esperaria de um registro musical como este.
Cidade de Deus – 10 Anos Depois
Doc que investiga o que aconteceu com os atores do filme Cidade de Deus, acaba se tornando um interessante filme sobre os últimos dez anos do Brasil e de parte do cinema brasileiro.
Cabeça de Porco o filme
Short cuts a paulistana, mistura de Amarelo Manga com comédia de costumes tosca.
Com Vandalismo
Doc Black block sobre diferentes manifestações ocorridas em Fortaleza em 2013, tem a estética da mídia ninja, câmera frenética, entrevista com manifestantes, mas a edição é bem convencional, jornalística, apesar de mostrar de forma direta cenas fortes do confronto, do ponto de vista dos manifestantes.

Depois de ontem, antes de amanhãDocumentário sobre o cotidiano de 3 moradores de Araçoiaba,PE, intercalando depoimentos e registro dos costumes, festas e problemas da região. Documentário antropológico, regular.
Amor plástico e barulho
Periferia do Recife em ritmo de tecno brega e sensualidade explosiva! O sonho do sucesso a qualquer preço, da lama ao caos, dos programas de TV de sábado a tarde as boates e clubes do subúrbio, a decadência de uma banda brega com muita interferência de material bombástico de baixo calão e em baixa resolução.  A música, os programas de TV, os produtos baratos de beleza instantânea e o amor de consumo rápido e barato. Não podendo amar de verdade, é preferível o amor da ficção do show business. Mesmo com tanto ruído sonoro e visual (seria o tal barulho do título?), a dupla de protagonistas de Amor plástico e barulho são plenas de dignidade. As imagens de arquivo da inauguração do shopping center(“um dos maiores do Brasil”) é um filme a parte. Impossível não lembrar de “Tatuagem”, de Hilton Lacerda, de alguma coisa dos filmes de Claudio Assis e Edgard Navarro, do visual dos clipes de Gaby Amarantos.  Amor Plástico e Barulho é o cinema de Pernambuco gritando para o mundo a poesia na periferia, desconstruindo o sentimentalismo barato do “brega way of life”.
Brandão
Documentário sobre cartunista, com uma tentativa de aproximar a estética dos quadrinhos na composição gráfica, dos planos recortados, mas em geral é bastante formal e sem novidades. 
Alem do Limite
Filme de suspense/fic científica terrível sobre um colégio macabro. Da direção de atores a cenografia, da trilha aos diálogos, nada se salva.  Além do limite.
Sopro
Observacional e impressionista. Um mundo dentro do mundo.Ivenção documental.

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